<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669</id><updated>2011-04-21T12:29:48.138-07:00</updated><title type='text'>Quarto Andar sem Elevador</title><subtitle type='html'>crónicas de Nuno Costa Santos publicadas de segunda a sexta no jornal A Capital</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-112262812491142985</id><published>2005-07-29T02:08:00.000-07:00</published><updated>2005-07-29T02:08:44.920-07:00</updated><title type='text'>O quarto andar com elevador</title><content type='html'>Isto vai fechar, pois. O quarto andar não resiste à possibilidade de se montar um elevador – daqueles confortáveis, onde até há um espelho para uma pessoa poder verificar de manhã se tem espuma de barbear nas orelhas -  neste prédio da Estefânia e por isso vai encerrar a sua actividade cronística. &lt;br /&gt;Sempre achei que não há nada mais piroso do que os finais feitos de agradecimentos vários  - normalmente com uma lágrima ao canto do olho. Daí que não tenha hesitado em fazer um final feito de agradecimentos vários. Com uma inundação no bairro por causa do descontrolado jorro lacrimal.&lt;br /&gt;Agora que isto vai ser demolido, agradeço:&lt;br /&gt;1) Ao meu amigo Luís Osório por ter desafiado este reaccionário de serviço (que em mim se aloja) para uma dose diária. E por ter sido a pessoa que mais me incentivou – juntamente com o meu amigo Luís Filipe Borges – a continuar a fazer a caminhada. (Ou seja: a descer e subir as escadas do meu prédio).&lt;br /&gt;2) Ao Paulo Narigão Reis e à Fernanda Mira – a quem, durante meses, enviei estas prosas. (Só eles sabem do meu vício de corrigir vírgulas e termos secundários depois do artigo já ter seguido por email; desculpem-me a irritante obsessão). E também à Ana Kotowicz, por ter acolhido os documentos nestas conturbadas semanas. (A propósito: uma nota de solidariedade dirigida aos meus colegas da redacção – oxalá corra tudo pelo melhor; ou seja: o que quer que aconteça, não percam a pica de querer vingar nisto do jornalismo). &lt;br /&gt;3) À comunidade política, jornalística e de comentadores que teima em funcionar por ódios - e que resume a análise política à avaliação do carácter alheio. Foram vocês que me ajudaram a explorar um generoso nicho de mercado. Se virmos bem, o mundo não se divide só em monstros e santidades.&lt;br /&gt;4) Às generosas colunas de citações que me citaram (segundo a dona Idalina, só me faltou o Destak e a Spectator). Foi bom – sobretudo para a família. E às colunas de citações em que, pura e simplesmente, deixei de ser citado (sobretudo o DN, que repetiu três vezes as minhas palavrinhas na primeira semana de actividade e que me cortou, de um momento para o outro, da lista; devo ter sido inconveniente para a dona da casa ou coisa do género). A estas últimas, faço questão de notar: meus caros, eu não tenho importância suficiente para deixar de ser citado.&lt;br /&gt;5) E, por fim, à minha vizinha de baixo. Obrigado por tudo. Pela sua paranóia constante. Pelo seu canídeo fedorento. Por não querer pagar as contas do condomínio. Por, apesar de tudo isso, exigir que nós a tratemos como uma vizinha de cima (tipo Daniela Cicarelli). Sem a sua colaboração, este pesadelo diário não teria sido possível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-112262812491142985?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/112262812491142985/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=112262812491142985' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/112262812491142985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/112262812491142985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/07/o-quarto-andar-com-elevador.html' title='O quarto andar com elevador'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-112173445183041750</id><published>2005-07-18T17:53:00.000-07:00</published><updated>2005-07-18T17:54:11.836-07:00</updated><title type='text'>Curso intensivo sobre a natureza humana</title><content type='html'>Começamos a perceber isso: o atentado em Londres foi, além do mais, um tratado sobre a natureza humana. As reportagens têm informado sobre alguns pormenores biográficos dos terroristas. Sim,  atrás dos autores da matança havia vidas comuns. Estou a ser pouco rigoroso: pelo menos num dos casos, havia uma vida incomum – de generosidade e atenção aos outros, por exemplo. &lt;br /&gt;Havia, há a história de um homem que, profissionalmente,  ajudava outros homens com dificuldades de integração e aprendizagem. E que, numa manhã de Julho, não hesitou em estilhaçar o coração de uma série de homens que nunca vira antes. Provavelmente – as imagens de vídeo que antecedem o ataque sugerem essa possibilidade – com um rosto sereno, apaziguado. Feliz.&lt;br /&gt;Ontem, numa sessão da meia-noite, assisti a outro tratado sobre essa coisa de ser pessoa. Colisão, do canadiano Paul Haggis, é um filme poderosíssimo pela maneira como revela as contradições do ser humano – para além de todos os desejos moralizadores. O que impressiona no filme não é a estratégia narrativa (feita de cruzamentos vários, à maneira  - um bocadinho batida, convenhamos - de Magnolia), mas sim a complexa e surpreendente abordagem que faz de um tema tão facilmente capturável pelas redes do politicamente correcto: o racismo.&lt;br /&gt;Em Colisão, há «maus» que são capazes de praticar o bem. E «bons» que são capazes dos actos mais hediondos. Há racismo entre imigrantes. Há racistas que são capazes de grandes gestos. E há anti-racistas que na primeira discussão no trânsito gritam palavras xenófobas. Pois, exactamente como na vida de todos os dias. Por mais que nos queiram, aqui e ali, vender o contrário. Na sociologia, na arte ou nos discursos de quem ainda insiste em dividir a humanidade em santos e monstros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-112173445183041750?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/112173445183041750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=112173445183041750' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/112173445183041750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/112173445183041750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/07/curso-intensivo-sobre-natureza-humana.html' title='Curso intensivo sobre a natureza humana'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-112000118682181569</id><published>2005-06-28T16:25:00.000-07:00</published><updated>2005-06-28T16:26:26.830-07:00</updated><title type='text'>O povo dá jeito</title><content type='html'>O povo só é «justo»  - e, por isso, digno de todo o género de elogios -  quando votou naqueles que nós achamos que mereciam ter ganho as eleições. É assim em democracia. É assim na democracia lusa. Lembram-se com certeza disso: o povo foi muito elogiado aquando das últimas legislativas. Porque nessa altura, segundo grande parte dos escribas de camarote, o povo teve «a lucidez»  e a «responsabilidade» necessárias para provocar uma viragem política no país. Obrigadinhos, ó povo.&lt;br /&gt;O pior é que a malta entusiasma-se amiúde e embala em conclusões e aforismos de que vem depois, melancolicamente, a arrepender-se. Nos momentos de rambóia pós-eleitoral, escreve-se e diz-se muitas vezes que «o povo português é sempre sábio». Porque - defende-se em maiúsculas - o povo português, nos momentos decisivos, tem uma espécie de «sentido de Estado» que o faz tomar a decisão «certa» para reequilibrar a vida do país. Todos nós já lemos frases deste calibre.&lt;br /&gt;É esse tipo de pensamento que recordo agora que Avelino Ferreira Torres está à frente nas sondagens para as eleições em Amarante -  e que os comentários cépticos em relação às qualidades e capacidades superiores do povo começam, aqui e ali, a suceder-se.&lt;br /&gt;Marcelo Rebelo de Sousa, no seu último comentário na RTP (perante uma Ana Sousa Dias cada vez mais desconfortável no seu papel pouco útil), deu a ideia de que, na hipótese provável de Avelino vencer, o povo irá acordar demasiado tarde. Pois, aqui está. O povo, outrora mimado e engraxado na praça pública, a ser avisado das suas contingências e debilidades na altura de decidir.&lt;br /&gt;Sim, é o povo quem mais ordena. Mas só quando nos dá jeito, pois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-112000118682181569?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/112000118682181569/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=112000118682181569' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/112000118682181569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/112000118682181569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/o-povo-d-jeito.html' title='O povo dá jeito'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111995853625850082</id><published>2005-06-28T04:35:00.000-07:00</published><updated>2005-06-28T04:35:36.260-07:00</updated><title type='text'>Pilatos e o PS</title><content type='html'>O maior inimigo de Carrilho é o PS. Não, já não é apenas a classe jornalística. Agora é o Largo do Rato em peso – e os seus afluentes - que deseja que o filósofo se espatife na primeira curva. É verdade que Manuel Maria metralhou - mais do que uma vez -  os joanetes durante os últimos tempos, mas o PS, a julgar pelas declarações públicas de alguns dos seus elementos (entre eles, Jorge Coelho), tem tentado empurrar o candidato-filósofo para a maior das solidões políticas e eleitorais. &lt;br /&gt;A forma como Carrilho está a ser abandonado pelo PS – que, é claro, não quer chamuscar o seu prestígio nesta fase decisiva – faz lembrar uma verdade essencial e bastante cruel da vida dos partidos. Os partidos tanto podem proteger ao máximo os seus militantes (quando estes «dão jeito» e se «portam bem»), mas também são capazes de os abandonar numa ruela qualquer quando percebem que têm mais a perder do que a ganhar, caso continuem a suportá-los. (É preciso reconhecer que Ferro Rodrigues, à parte os seus excessos e irritações, foi uma excepção a este tipo de conduta).&lt;br /&gt;Alinhemos um conjunto de factos e conclusões que qualquer criança poderá perceber. Carrilho foi escolhido pelo partido para ser o candidato socialista à Câmara de Lisboa. Certo? Tem, digamos, essa legitimidade. Ou seja: no mínimo, o que se pode esperar é que o PS assuma até ao fim o «encargo» de o ter como candidato. Certo? Que não comece com insinuações públicas ou com declarações do género “eu não tenho nada a ver com isso”. Certo? Certo. Pilatos – que tanto tem inspirado a actividade política - anda a fazer de novo escola no PS.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111995853625850082?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111995853625850082/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111995853625850082' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111995853625850082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111995853625850082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/pilatos-e-o-ps.html' title='Pilatos e o PS'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111995849934714629</id><published>2005-06-28T04:34:00.000-07:00</published><updated>2005-06-28T04:34:59.353-07:00</updated><title type='text'>Independência para Portugal</title><content type='html'>Vá lá, ao menos sejamos correctos e justos nisto. Temos de dar os parabéns à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que acaba de trazer para a ordem do dia um assunto polémico mas absolutamente decisivo do nosso tempo. (Sabe-se disso: não se fala noutra coisa nas ruas, nas tascas, nas esplanadas, nas praias, nos clubes de strip, na Biblioteca Nacional – ou seja, em todos os sítios onde, a qualquer momento, poderá rebentar um arrastão). Sim, já é altura de Portugal se tornar independente dos Açores.&lt;br /&gt;A situação tornou-se insustentável. Chegou o momento de satisfazer as legítimas aspirações independentistas dos portugueses. O Júlio da garagem fala-me em escândalo. Uma ministra com vocação de revolucionária independentista? Calem-se, calem-se essas vozes do contra. Esses reaccionários que não percebem o curso normal da História. Esses Vascos Pulidos Valentes de vão de escada. Esta senhora é uma senhora de coragem. Fez o que tinha a fazer  - e sem bombas pelo meio. Não podemos ocultar o esquecimento (e o desprezo) a que o arquipélago votou «a República» durante anos e anos. Maria de Lurdes Rodrigues é o Michael Collins do Executivo de Sócrates.&lt;br /&gt;A FLC (a Frente de Libertação do Continente), liderada justamente pela senhora ministra, tem, segundo as fontes do quarto andar sem elevador, realizado reuniões consecutivas no sótão do Ministério da Educação. Já foi abandonada num caixote qualquer aquela ideia do referendo – recordemos que a pergunta era “Independência para o País do Mourinho, Sim ou Não?”.  E, dado o depoimento recente de Maria de Lurdes sobre o assunto, a declaração de independência está para breve. Não saiam, pois, dos vossos lugares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111995849934714629?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111995849934714629/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111995849934714629' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111995849934714629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111995849934714629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/independncia-para-portugal.html' title='Independência para Portugal'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111957376577773420</id><published>2005-06-23T17:42:00.000-07:00</published><updated>2005-06-23T17:42:45.783-07:00</updated><title type='text'>O exemplo de António-Pedro</title><content type='html'>António-Pedro Vasconcelos, além de realizador (e religioso benfiquista, pois), é, sabemo-lo, um prosador. Um bom prosador, diga-se. Acompanho as suas crónicas desde há muito - e raramente saio desiludido dos parágrafos. Por causa do conteúdo, sim, mas sobretudo por causa da limpidez e secura do estilo. É raro escrever-se assim neste território de gente tão militantemente rebuscada. &lt;br /&gt;Acabo de ler O Cinema e a Vida, o texto que escreveu sobre si próprio para a última página do JL. Não foram as abundantes referências literárias e cinematográficas que me salvaram o fim de tarde na esplanada. Foi uma frase lá mais para o fim - que procura condensar a relação que mantém com os objectos artísticos que o formaram e o seu percurso como realizador. &lt;br /&gt;Esta: «Não fiz os filmes que queria porque escolhi um médium universal para me exprimir, e porque nasci - e escolhi viver - num país periférico, perdido no mapa da grande cultura popular que é o cinema, onde os filmes nem sequer falam aos seus contemporâneos. Mas tenho vivido como aprendi nos livros que li e nos filmes que amei (?)». &lt;br /&gt;As perguntas que me surgiram depois de absorvida a prosa (e enquanto aguardava «a continha, se faz favor») foram: será que aqueles que na minha geração têm talento e ambições artísticas vão, daqui a uns anos, chegar a esta mesma conclusão - que a arte comandou as suas vidas, mas que não conseguiram alcançar os seus objectivos por habitarem um país periférico? &lt;br /&gt;As respostas, essas, ainda vão demorar bastante tempo a chegar. Que, por agora, fiquem pelo menos os exemplos. Os exemplos como o de António-Pedro Vasconcelos, a recordar que a caminhada não vai ser, como é hábito dizer-se, pêra doce. Afinal de contas, este continua a ser o «país possível». &lt;br /&gt;ncostasantos@netcabo.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111957376577773420?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111957376577773420/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111957376577773420' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111957376577773420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111957376577773420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/o-exemplo-de-antnio-pedro.html' title='O exemplo de António-Pedro'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111947883220131667</id><published>2005-06-22T15:20:00.000-07:00</published><updated>2005-06-22T15:20:32.230-07:00</updated><title type='text'>Carrilho vs. jornalistas</title><content type='html'>Sim, esqueçam o wrestling da SIC-Radical e as porradas conjugais do Fiel ou Infiel?. Eis o duelo mais excitante do momento: a guerra entre Carrilho (para quem não o conhece, o pai do Dinis) e os jornalistas. Há miudagem a abandonar a Playstation (e os discos do Boss AC e do Valete) só para assistir aos próximos episódios - cada vez mais violentos e sangrentos. A TVI está a pensar em criar o programa A Arena das Celebridades - basicamente um combate diário entre Manuel Maria e uma data de repórteres, cronistas e editorialistas - onde vale tudo, até arremessar livros de filósofos pragmáticos americanos. &lt;br /&gt;Aquilo que está em jogo é mais sério do que possa parecer. É isto, no fundo: qual dos poderes vai ganhar a guerra - o dos jornalistas ou o da personagem que foi por eles catapultada? Ou, dito de outra maneira: será que, hoje em dia, nesta lusitana embarcação, é possível um político ganhar umas eleições tendo a classe jornalística como inimiga? A ver vamos. &lt;br /&gt;Por enquanto, Carrilho é o que - para citar Habermas - «tem levado mais no lombo». Em consequência também da sua delicadeza de Stallone nos artigos e nas entrevistas. Pôs-se a jeito, digamos assim. Carmona Rodrigues é tão deslavado e nerd, que não causa reacção da classe. Sá Fernandes, que transporta a aura justiceira e bloquista, tem sido poupado. Rúben de Carvalho é Rúben de Carvalho (é respeitado e tolerado, mas não causa nem entusiasmos nem ódios). E Maria José Nogueira Pinto só agora entra em prova. &lt;br /&gt;Por mais que o neguem, os jornalistas conseguiram reunir esforços para destronar Santana. Vamos ver se conseguem agora liquidar as aspirações autárquicas de um filósofo truculento. &lt;br /&gt;ncostasantos@netcabo.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111947883220131667?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111947883220131667/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111947883220131667' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111947883220131667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111947883220131667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/carrilho-vs-jornalistas.html' title='Carrilho vs. jornalistas'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111931033090609317</id><published>2005-06-20T16:30:00.000-07:00</published><updated>2005-06-20T16:32:10.913-07:00</updated><title type='text'>Não percebo isto</title><content type='html'>Se eu fosse o Pierluigi Collina não passava por estes dias no Martim Moniz. Feita a advertência ao senhor (que, contam-me amigos italianos, lê sempre esta croniqueta - e a secção do hoje fazem anos do Público - logo pela matina), é altura de escrever aquilo que vai no que ainda resta da minha melancólica alma: não percebo isto. Não, não percebo isto de andar de cabeça rapada a chatear a cabeça de pessoas de cores diferentes. &lt;br /&gt;Ou melhor: percebo isto, mas não percebo isto (desculpem-me a extrema clareza de pensamento; é do calor). Percebo isto - porque só o humano é capaz dos mais cruéis e parvos extremismos mentais - mas não percebo isto porque isto está tão afastado do meu universo e da minha maneira de ver e sentir que entra no domínio do incompreensível. &lt;br /&gt;O que torna o fenómeno perversamente fascinante. Explico-me melhor: quando os carequinhas de serviço aparecem na televisão, num documentário, numa notícia ou num anúncio de uma sauna, fico preso à coisa - como quem vê um conjunto de hipopótamos que de repente começou a falar sobre literatura arménia. É tão bizarro e tão estúpido (tão absolutamente nonsense) que a gente quer saber o que é que vai acontecer a seguir. &lt;br /&gt;Eu não os enjaulava. Pelo menos para já. Obrigava-os a usar cabeleiras afro e missangas à volta do pescoço. Obrigava-os a, sempre que quisessem pedir uma bica ou uma imperial, exprimirem-se em português com sotaque angolano ou moçambicano. Obrigava-os a escurecerem a pele e a, até ao fim da vida, fazerem parte de grupos de reggae (quanto mais irritantemente repetitivos, melhor). Obrigava-os - aos domingos - a vestir um belo de um turbante. Só depois é que pensava no resto. &lt;br /&gt;ncostasantos@netcabo.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111931033090609317?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111931033090609317/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111931033090609317' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111931033090609317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111931033090609317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/no-percebo-isto.html' title='Não percebo isto'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111913210466662931</id><published>2005-06-18T15:01:00.000-07:00</published><updated>2005-06-18T15:03:44.396-07:00</updated><title type='text'>O strip açoriano</title><content type='html'>Depois de, nestes últimos dias, ter percorrido o eixo Paris-Marvão (esse conhecido eixo geoestratégico mundial), achei que devia estacionar por uns dias na ilha de São Miguel, a minha terra. Quis, no fundo, completar a sequência em beleza: Paris-Marvão-Livramento (a freguesia dos arredores de Ponta Delgada, onde cresci para o nonsense e a melancolia).&lt;br /&gt;Estou por aqui, no meio de um dia brumoso e nevoeirento - o que é muito estranho, tratando-se das ilhas açorianas. Até agora não houve nenhum tremor de terra. Assisti ontem ao boletim televisivo e, quando chegou à parte da “previsão do estado dos vulcões para amanhã”, as notícias foram apaziguadoras. Obrigado, Mãe Natureza.&lt;br /&gt;É a primeira constatação para quem sai do aeroporto e segue pelas modernas estradas da ilha: os meus Açores acordaram para o sexo. Melhor: os meus Açores acordaram para o softcore – ou, segundo algumas informações recolhidas junto dos especialistas, para «um certo  hardcore». É isso mesmo: hoje, há várias casas de strip nas ilhas. E há alguns outdoors que, sem pedir licença à bem conservadora sociedade açoriana, fazem a devida publicidade às mesmas.&lt;br /&gt;Que fique claro - não me escandalizo com o facto. Acontece. Acontece aos melhores sítios do mundo (é vaidade e orgulho, eu sei). E – permitam-me as donas aí do bairro o devaneio libertino – não vejo mal nenhum nisso. Ora vejamos: as famílias, ao decidirem atravessar o Atlântico, em vez de irem ver as lagoas, as hortênsias e o mar, vão ver uma data de brasileiras e ucranianas a dançar ao som do Enrique Iglesias. São, à mesma, férias que prometem.&lt;br /&gt;ncostasantos@netcabo.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111913210466662931?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111913210466662931/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111913210466662931' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111913210466662931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111913210466662931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/o-strip-aoriano.html' title='O strip açoriano'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111892579264289477</id><published>2005-06-16T05:42:00.000-07:00</published><updated>2005-06-16T05:43:12.646-07:00</updated><title type='text'>Eu voto Carrilho</title><content type='html'>Conhecem o Carrilho? Não o Manuel, mas o André, o André Carrilho? Se não conhecem, eu conto-vos: o André Carrilho é um ilustrador galáctico que anda por aí a fazer desenhos à maluca. Não, não vale a pena estar com rodriguinhos: sou mesmo fã do gajo. Neste momento, é, aliás, dos artistas portugueses que mais admiro (a seguir à dona Lara, que pinta umas brilhantíssimas naturezas mortas; no outro dia, fez um auto-retrato daqueles). &lt;br /&gt;A excelente colecção de livros de O Independente, Horas Extraordinárias, por exemplo, tem desenhos do Carrilho (o outdoor da colecção de jazz do Público também). Já viram o do O´Neill, o do Luiz Pacheco, o do Pereira Coutinho, o do Rui Ramos, o do Millôr Fernandes (fabuloso, sobretudo no olhar claro e triste)? A gente olha para os desenhos e reconhece logo que são eles próprios. Eles próprios transfigurados, recriados por um traço e por uma expressividade carrilhianos (é o único adjectivo que arranjo para os definir). &lt;br /&gt;Não podia deixar de ser - desde há uns tempos, André Carrilho anda a fazer coisas para alguns dos melhores jornais do mundo (e só tem 30 anos, o sacrista!): para o New York Times, para a Harper´s, para o Independent on Sunday. Podem conhecer alguns trabalhos dele mais antigos em http://www.andrecarrilho.com. Vão, vão lá ver o Peter O´Toole, o Brian Ferry ou o Naipaul remixados por um tuga ultratalentoso. &lt;br /&gt;Vamos aos pedidos: eu quero ter a cara dos meus desenhada por este magnífico ilustrador. Eu quero que a imagem artística de Portugal no estrangeiro passe a ser a criatividade e o rasgo do André Carrilho e não os lacrimejantes - e agora inevitavelmente conformados - Madredeus. Eu quero que o Carrilho, o André, se candidate à Câmara de Lisboa. Para eu poder votar nele, pois. &lt;br /&gt;ncostasantos@netcabo.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111892579264289477?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111892579264289477/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111892579264289477' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111892579264289477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111892579264289477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/eu-voto-carrilho.html' title='Eu voto Carrilho'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111784383868516861</id><published>2005-06-03T17:10:00.000-07:00</published><updated>2005-06-03T17:10:38.686-07:00</updated><title type='text'>Vamos morrer:)</title><content type='html'>Por este dias só me estão a interessar as questões fracturantes. Os temas que dividem a sociedade portuguesa. Que dão insónias (lacrimejantes, pois) ao presidente Sampaio. Depois de ter dedicado a prosa de ontem aos SMS’s e à sua importância na comunicação de notas decisivas para as nossas vidas, dedico a minha melancolia primaveril de hoje aos smilies (e a toda a sinaléctica aparentada). Aguente-se, leitor mais sensível.&lt;br /&gt;Os smilies, esses bonequinhos essenciais à comunicação pós-moderna. Não há cidadão que comunique no Messenger (e são tantos nas empresas, por exemplo) que não os utilize. Também têm aparecido muito nos emails e nos comentários bloguísticos. Dão jeito. Pois, ajudam a explicar melhor a intenção daquilo que se quer dizer por escrito. Ou seja: ajudam uma pessoa a não ser espancada.&lt;br /&gt;Há os zangados. Os contentes. Os malandrecos (a piscar o olho). E há outros que ficam para os entendidos. A questão é: vou ter de passá-los a usar (talvez até na crónica; talvez até nas actas das reuniões de condóminos; talvez até no meu livrinho de poemas). Ainda resisti, ainda desdenhei, ainda me armei ao intelectual. Mas fui obrigado a aderir ao fenómeno. Sobretudo depois de ter sido espancado pela dona Ermelinda por causa de um bilhete que rabisquei à pressa no café – e que a dona Ermelinda interpretou como sendo uma proposta para irmos os dois para casa dela ver o canal Venus.&lt;br /&gt;Além do mais, com o smilie certo, podemos insultar quem quisermos que ninguém leva a mal. Basta pôr o bonequinho risonho no final da frase. Se escrever «és um pulha» sou capaz de ser assassinado pelo meu interlocutor (e pela sua família toda, inclusive os primos emigrantes em França). Mas se escrever «és um pulha:)», sou recebido com um abraço por toda a gente. Vá lá, experimentem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111784383868516861?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111784383868516861/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111784383868516861' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111784383868516861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111784383868516861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/vamos-morrer.html' title='Vamos morrer:)'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111784379468113485</id><published>2005-06-03T17:09:00.000-07:00</published><updated>2005-06-03T17:09:54.686-07:00</updated><title type='text'>A vida por SMS</title><content type='html'>Segundo consta, Miguel e Nuno Gomes souberam que não foram convocados por Luiz Felipe Scolari para as próximas jogatanas da selecção nacional por SMS. Está, pois, encontrada uma novíssima forma de comunicação de decisões importantes (alguns dirão essenciais) para as nossas vidas. &lt;br /&gt;É isso. Chegou-se a uma altura tão informal, tão informal que já dispensamos a reunião, o simples encontro no café do centro comercial ou o mero telefonema de trinta segundos (no meio do IC-19, a 120 km à hora). Não, hoje, manda-se um SMS para comunicar coisas sérias. Caso para citar novamente o magno pensamento de um Tony Vitorino: habituemo-nos.&lt;br /&gt;Aliás, se pensarmos um pouco, se perdermos dois segundos para reflectir nestes problemas da humanidade, concluíremos que os jogadores Miguel e Nuno Gomes até tiveram muita sorte naquilo que se passou. «Ah pois!», diz-me aqui o Zé Rui, o rapaz da garagem. Podiam muito bem ter ficado a saber da não-convocatória através de um rodapé do programa Praça da Alegria. Ou da TV-Saúde. Ou podiam ter ficado a saber da sua situação futebolística na selecção quando fossem pesquisar o (escanzelado, calcula-se) saldo das suas contas bancárias no multibanco da esquina.&lt;br /&gt;Desculpe mas tenho de avançar para as perguntas, dona Artemísia. O que se seguirá? Um tipo vir a saber que a mulher acaba de mudar de sexo numa clínica holandesa por SMS? A mulher saber que o marido acaba de estoirar o património familiar todo (incluindo os vestidos e as jóias que ela herdou da avó Laurinda; e o caniche também) no Casino do Estoril por SMS? O pai receber do filho o seguinte SMS: “Pai, hoje não vou jantar. Ah, e sou gay. Um abraço, Márcio”?&lt;br /&gt;Esperemos para ver. Corrijo: aguardemos, serenos como o povo, pela próxima mensagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111784379468113485?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111784379468113485/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111784379468113485' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111784379468113485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111784379468113485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/vida-por-sms.html' title='A vida por SMS'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111766576009739593</id><published>2005-06-01T15:41:00.000-07:00</published><updated>2005-06-01T15:44:35.766-07:00</updated><title type='text'>O capricho do noivo</title><content type='html'>(Pequena nota informativa que nada tem a ver com o artigo que se segue: a minha vizinha de baixo está neste momento a comemorar o Dia Europeu dos Vizinhos enviando fumarada de um cozinhado qualquer cá para cima; agradeço-lhe, a partir da croniqueta, a gentileza). Pois, já percebemos o ponto: há muito boa gente que é pelo não à Constituição Europeia porque tem medo que os países-membros, a partir do momento que se submeterem ao novo conjunto de regras, percam a identidade e a individualidade próprias. Ou por outra: para muitos, o Tratado Constitucional significa o fim das Nações  - e da própria ideia de Nação.&lt;br /&gt;Eu, que se calhar sou tão nacionalista quanto alguns dos partidários do não (vibro com o meu país e quero que se imponha no mundo; não tenha nada aquele discurso pseudo-internacionalista que censura até quem canta o hino nos estádios), acho que a identidade de um país não fica encurralada por este conjunto de normas. Pelo contrário.&lt;br /&gt;Sabemos disso: a História, a cultura e a identidade de Portugal (por exemplo) não ficarão certamente afectadas por um conjunto de mecanismos cujo principal objectivo é fortalecer e agilizar a União Europeia. Torná-la mais incisiva em termos políticos, económicos e militares - e, por isso, mais respeitada no mundo. &lt;br /&gt;Além do mais, parece-me que esta ideia de fazer tudo para que não se avance no sentido de uma maior integração política na União já não vem a tempo. Convenhamos que é uma indignação que chega bastante atrasada. Faz-me, aliás, lembrar o noivo que, à entrada da igreja, com a noiva, o padre e os convidados todos à espera, quer por força desmarcar o casamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111766576009739593?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111766576009739593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111766576009739593' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111766576009739593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111766576009739593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/o-capricho-do-noivo.html' title='O capricho do noivo'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111766570553189441</id><published>2005-06-01T15:40:00.000-07:00</published><updated>2005-06-01T15:44:21.386-07:00</updated><title type='text'>Orgulhosamente sós</title><content type='html'>Confesso: continuo impressionado com as manifestações de alegre histerismo pela vitória do «não» em França. As imagens circularam nas televisões de todo o mundo: franceses abraçados uns aos outros, com copázios (e, quem sabe, charros do Dubai) na mão, a gritar a sua felicidade por terem empatado a vida à União. Como se esse fosse o desígnio maior das suas vidas.&lt;br /&gt;Impressiona-me também a circunstância evidente de uma boa parte daquelas pessoas não fazer ideia daquilo que realmente está a festejar. No máximo, tem uma vaga noção (cheia de clichés que desaguam na abstracta expressão “Europa social”). Mas elas festejam. Saltam. Gritam. Fazem sapateado e strip ao lado das respectivas famílias. Em nome de uma vitória que as torna orgulhosamente sós na caminhada europeia. &lt;br /&gt;Mas, ao menos, elas fazem a festa. Pois, a verdade é que, antes de me lançar a mais um melancólico zapping, faço a perguntinha preocupada: será que, quando houver referendo em Portugal, as pessoas também irão para as ruas apitar? Por enquanto, a resposta é: duvido. Estamos muito mais longe de qualquer ideia de União Europeia do que os franceses. E em matéria de ignorância sobre os mecanismos e a substância do Tratado Constitucional estaremos (com certeza) em pior situação do que eles. Basta assistir aos depoimentos de rua. «A Europa» não nos causa qualquer tipo de emoção. E, em consequência disso, de opinião.&lt;br /&gt;Fica a proposta: que, no dia do referendo, se jogue uma futebolada épica entre os ilustres adeptos do sim e do não. Isso mesmo: pode ser que, dessa forma, haja festança até às tantas no Marquês.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 31 de Maio de 2005)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111766570553189441?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111766570553189441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111766570553189441' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111766570553189441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111766570553189441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/06/orgulhosamente-ss.html' title='Orgulhosamente sós'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111749594227622173</id><published>2005-05-30T16:31:00.000-07:00</published><updated>2005-06-01T15:43:53.030-07:00</updated><title type='text'>«As verdades» de Medina Carreira</title><content type='html'>Antes de mais, aquilo que é importante nisto tudo: Medina Carreira é um economista com piada.  Com muita piada mesmo. Um frasista. Com talento, rasgo e provocação. O que menos interessa: Medina Carreira diz coisas importantes para o país. Medina Carreira diz aquilo que os portugueses comuns (e até quem sabe a Maria Gabriela Llansol) designam por «verdades».&lt;br /&gt;A última entrevista que deu (à SIC-Notícias) foi um momento televisivo marcante para muito boa gente. Pelo menos a julgar pelas conversetas de café e de salão. Ou seja: quem viu não tocou noutro assunto. Cada um lançou a sua sentença: o homem cortou a direito; o homem afirmou o que os políticos não têm coragem para nos revelar; o homem é que é.&lt;br /&gt;O que nos pode levar a pensar que os portugueses estão prontos para seguir a via difícil e onerosa por si defendida. Aquela que vocifera que não há outro caminho para a sobrevivência do país senão a de conter as despesas do Estado – o que implicará, necessariamente, despedimentos e uma vigilância maior à cultura do subsídio.&lt;br /&gt;Pois, nada mais ilusório. A óbvia conclusão a que chegou o quarto andar sem elevador é esta: os portugueses apreciam um homem que seja frontal (e mesmo brutal) na identificação das causas da decadência da Nação, mas não aguentam o embate da prática e do dia-a-dia. Não têm a genica suficiente para sacudir hábitos de laxismo. Sejamos pouco líricos nisto: a verdade é que ninguém está preparado para corresponder às expectativas de exigência de um Medina Carreira. Por mais que gostemos de o ouvir dizer «as verdades» na televisão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 29 de Maio de 2005)&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111749594227622173?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111749594227622173/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111749594227622173' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111749594227622173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111749594227622173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/as-verdades-de-medina-carreira.html' title='«As verdades» de Medina Carreira'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111724194101222952</id><published>2005-05-27T17:57:00.000-07:00</published><updated>2005-05-27T18:00:29.933-07:00</updated><title type='text'>Cavaco para comissário de qualquer coisa</title><content type='html'>Não, não sei se já perceberam. Há um sentimento de alívio nas ruas, nas tascas, nas lojas do cidadão, nas paragens de autocarro, nas plantações de sobreiros. Os portugueses arranjaram maneira de se verem livres de políticos que já deviam ter metido a papelada para reforma. Eis a novíssima forma de nos safarmos de personagens que ameaçam voltar à política nacional: mandá-las para cargos internacionais. Aconteceu com Guterres. Proponho, já agora, que se mande também Cavaco. &lt;br /&gt;Sou o primeiro a assinar a petição. A meter a cunha. Até sou rapaz para mandar um SMS ao Kofi Annan (só não sei se ele ainda tem o mesmo número). Cavaco para alto-comissário de qualquer coisa.  Cavaco para alto-comissário da ONU para a Tecnocracia e o Deixem-me Trabalhar. Cavaco para alto-comissário da ONU para o Tabu e o Bolo-Rei. Seria igualmente prestigiante e pouparia a lusitana pátria ao cavaquismo versão presidencial. O que é que me dizem?&lt;br /&gt;Enquanto não dizem nada, vou avançando: não nos fiquemos por aqui. Por que é que não arranjamos cargos internacionais para personalidades de outras áreas  - que estão, digamos, a precisar de um arejozinho? Por exemplo, pelo que vejo e ouço, há demasiados sportinguistas a quererem mandar Peseiro para o estrangeiro  - ou para um sítio que eles lá sabem. Fica a proposta: mande-se o senhor para um cargo da UEFA na Albânia ou na Arménia. &lt;br /&gt;Os católicos menos conservadores, esses, gostariam certamente de poder mandar Ratzinger para bem longe. Assim de repente, ocorre-me uma hipótese: o cargo de alto-comissário para o Mundo Católico. Em Marte, pois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 27 de Maio de 2005)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111724194101222952?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111724194101222952/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111724194101222952' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111724194101222952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111724194101222952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/cavaco-para-comissrio-de-qualquer.html' title='Cavaco para comissário de qualquer coisa'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111724186480034042</id><published>2005-05-27T17:56:00.000-07:00</published><updated>2005-05-27T17:57:44.806-07:00</updated><title type='text'>Sócrates é amigo</title><content type='html'>Logo a seguir à queda de Santana Lopes, O Indesejado, comentei com a dona Isaura e o seu neto Márcio - e depois registei a ideia na croniqueta do dia - que o populismo não tinha terminado. Que, mais cedo ou mais tarde, o novo primeiro-ministro iria revelar a careca da demagogia. Era, convenhamos, uma jogada bastante arriscada. O personagem ainda não tinha revelado uma pontinha de humanidade que fosse.&lt;br /&gt;Sócrates é mais humano do que se imaginava - e é inegavelmente amigo do quarto andar sem elevador (obrigados). Mais: Sócrates é um político. Um político clássico. Ou melhor - típico. Não é o ser robótico que aparentava ser. Também faz promessas para agradar ao povo que o vai eleger. Também diz que não vai aumentar os impostos e depois, no primeiro momento de aperto, quer fazer esquecer o que afirmou. Sócrates, afinal, tem alguma coisa de Santana.&lt;br /&gt;Acontece com qualquer pop star – e o nosso actual primeiro é, inegavelmente, uma.  Tal como Pedro, José já começa a desiludir os seus fãs – com todo o exagero que as relações entre fãs e ídolos comportam. E aqueles que nele depositaram alguma fezada começam a baixar a cabeça. O pai de um amigo meu chamou o filho a um canto para um desabafo.  Contou-lhe que tinha votado em José Sócrates na convicção de que ele não iria subir os impostos. E que, por isso, se sente neste momento enganado. Defraudado. Zangado. O meu amigo não lhe perguntou, mas é bem possível que o seu sentido de voto, hoje, não fosse o mesmo. Sim, nestes dias em que o socratismo começa a revelar algumas das suas sombras, os papéis invertem-se nas casas dos portugueses. São os filhos que não sabem o que é que hão-de dizer aos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 26 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111724186480034042?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111724186480034042/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111724186480034042' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111724186480034042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111724186480034042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/scrates-amigo.html' title='Sócrates é amigo'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111705991828653073</id><published>2005-05-25T15:24:00.000-07:00</published><updated>2005-05-25T15:25:18.290-07:00</updated><title type='text'>Notícia do meu prédio</title><content type='html'>Sei disso: aqueles que me lêem estão sempre à espera que traga novidades sobre a minha vizinha de baixo. Não adianta fingir que não é assim. Vós, os meus leitores (ah, que expressão onanista - se não me dirigisse, é claro, a duas pessoas) são capazes de passar sem o meu magno pensamento sobre o défice, o Bloco, os fatos do Portas, o campeonato de futebol, o referendo à constituição europeia ou o último poema do Ramos Rosa (escrito há 12 segundos, parece-me). O que não dispensam é a noticiazinha sobre a minha vizinha de baixo. E eu, escriba servil, faço-vos a vontade. &lt;br /&gt;A notícia da jornada sobre a minha vizinha de baixo é aterradora. Esqueçam problemas tipo inundações em barda, ausência  prolongadíssima de pagamento de condomínio ou bombeiros a entrarem-nos por casa dentro sem qualquer razão. Pior do que tudo isso: a minha vizinha de baixo está numa de ser simpática para a família do quarto andar sem elevador - abre-nos, como um porteiro à antiga, a porta aqui do prédio e até faz questão de nos avisar que caiu do fio da roupa um atoalhado nosso.  Não, não sei se vou aguentar mais isso. Não admito tamanha generosidade da vizinhança. &lt;br /&gt;Uma vizinha de baixo é uma vizinha de baixo. Terá de continuar a ser uma vizinha de baixo. Com quem temos conflitos permanentes. Com quem cortamos relações todos os dias. E, além do mais, tenho de cultivar – o mais obsessivamente possível – as temáticas recorrentes da croniqueta. É que, da maneira que isto está, daqui a nada começamos a passar os serões a discutir, sei lá, a influência de Ricardo Reis em Fernando Pessoa. Com o canídeo fedorento da senhora ao lado.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 25 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111705991828653073?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111705991828653073/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111705991828653073' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111705991828653073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111705991828653073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/notcia-do-meu-prdio.html' title='Notícia do meu prédio'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111681229073021910</id><published>2005-05-22T18:37:00.000-07:00</published><updated>2005-05-22T18:38:10.730-07:00</updated><title type='text'>A morte do colunista</title><content type='html'>Estou desiludido. Ainda não encontrei ninguém a escrever sobre a doença da Kylie Minogue.  Todos os dias folheio a jornalada à procura do texto – e nada. Não, ainda não li nenhuma prosa metafórica sobre a fragilidade daqueles que julgamos imunes às enfermidades e ao sofrimento comuns.  Sobre o facto de se provar mais uma vez que até os deuses podem ser obrigados a fazer quimioterapia. E, confesso, tinha fortes expectativas que isso viesse a acontecer.&lt;br /&gt;Admito: esperava percorrer, um a um, os parágrafos de uma crónica intitulada “Musas com Pés de Barro” (talvez apareça no fim-de-semana, na revista do Expresso). Como esperei a confraria de artigos moralistas sobre o caso dos sobreiros e de Nobre Guedes (aí fui afortunado). Como esperei artigalhadas várias sobre Valentim Loureiro e Isaltino (também tive sorte – comigo mesmo, inclusive). Como esperei o embalo das linhas moles sobre o tsunami, os polícias mortos e o episódio da Terry Schiavo. &lt;br /&gt;Sim, devia constar dos manuais. Esse é um dos perigos primeiros da actividade de colunista e de cronista: ser levado na enxurrada da facilidade e da previsibilidade. Às vezes, como se costuma dizer, não se faz por mal. É-se seduzido ou pela poesia fácil ou pelo pleonasmo da indignação. Costuma chamar-se abutres a certo tipo de jornalistas. Os colunistas, a serem um animal, são, em geral, uma pobre ovelha. Sempre pronta a seguir em rebanho o assunto do dia. De forma melancolicamente previsível. &lt;br /&gt;E, sabemo-lo, não há nada pior para um opinante profissional do que o leitor conseguir prever tudo o que vai escrevinhar sobre determinado assunto. É a chamada morte do colunista. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 20 de Maio de 2005)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111681229073021910?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111681229073021910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111681229073021910' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111681229073021910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111681229073021910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/morte-do-colunista.html' title='A morte do colunista'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111681221700554907</id><published>2005-05-22T18:36:00.000-07:00</published><updated>2005-05-22T18:36:57.010-07:00</updated><title type='text'>Lusitana chinatown</title><content type='html'>A história da inspecção às lojas chinesas fez-me lembrar uma longa   conversa promovida por este jornal entre Pacheco Pereira e Eduardo Lourenço. Recordo-me de Pacheco ter comentado, entre outras coisas, que muitos comerciantes portugueses ainda não perceberam o tempo em que vivem. Lamentam-se  demasiado e pouco fazem para se modernizarem e se tornarem competitivos. &lt;br /&gt;Já lá estivemos. Agora são eles que cá estão. Sim, Portugal já foi conhecido pelos seus périplos ao Oriente. Agora é conhecido pelo país que quer expulsar - ou, pelo menos, amedrontar - os orientais que lhe vieram prejudicar o negócio. Abram o ouvido: há um cochicho invejoso e mesquinho a rastejar pelas ruelas, tascas e lojas de conveniência: «Olha que os gajos trabalham de mais e têm bugigangas baratas. É preciso ter cuidado com os chinos».&lt;br /&gt;Sabe o que é que dá vontade, dona Genoveva? (Desculpem. É que a senhora apareceu agora aqui em casa para fazer a análise da jogatana de ontem, com o seu poético vocabulário à Rui Santos). Dá vontade de imaginar uma inspecção aos comerciantes portugueses. Uma inspecção daquelas que dão para assustar até um Tarzan Taborda. Uma investida que revele aquilo que já adivinhamos: que seria preciso ter a casa bem limpinha para levantar ondas aos outros. &lt;br /&gt;Mais: dá vontade de imaginar Portugal transformado numa imensa Chinatown. Do mais pirososo – mas eficaz - que pode existir. E com os pequenos comerciantes lusos a serem obrigados a modernizarem as suas lojecas - e a melhorarem o serviço, a qualidade e o preço dos seus produtos. Como já deviam ter feito, aliás.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 19 de Maio de 2005)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111681221700554907?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111681221700554907/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111681221700554907' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111681221700554907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111681221700554907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/lusitana-chinatown.html' title='Lusitana chinatown'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111645671310966743</id><published>2005-05-18T15:51:00.000-07:00</published><updated>2005-05-18T15:51:53.110-07:00</updated><title type='text'>O debate homossexual</title><content type='html'>Há uns meses, depois de ter participado num debate sobre a adopção de crianças por homossexuais (calma, dona Arlinda, eu depois conto por que é que participei nesse debate), perguntei a um amigo homossexual (está nos cinquentas e é um ex-militante das chamadas “causas gay”) se ele era ou não a favor dessa possibilidade. Confesso que não estava à espera da resposta: «Sou contra isso. Nós somos diferentes. E casos diferentes devem ser tratados de forma diferente». (Não, dona Arlinda, o homossexual em questão não é o Zé Carlos da farmácia). &lt;br /&gt;O meu amigo ainda acrescentou: «Grande parte dos homossexuais tem uma existência virada para o social, para o exterior, e isso não se coaduna com a vida caseira e recatada que uma responsabilidade dessas impõe». Por que é que o trago à croniqueta de hoje? Porque se tem falado destes temas. Porque houve esta semana,  em Viseu,  uma manif contra a discriminação e a violência. Porque achei interessante e surpreendente a opinião dele. E sobretudo porque acho que no debate sobre os “direitos dos homossexuais” não se devia excluir aqueles que, fazendo parte da “comunidade”, têm opiniões como esta. (Não, também não é esse, dona Arlinda, também não é o Alfredo do restaurante).&lt;br /&gt;Em relação à manifestação, quero aqui deixar registado que, embora não me sinta, por uma questão feitio, um fervoroso adepto de marchas, sou a favor. Totalmente. Sim, sei que manifestações como esta têm o seu efeito. E tudo o que seja pressionar e encurralar hooligans sociais terá o meu apoio.&lt;br /&gt;(Não, dona Arlinda, não é o seu marido. Eu depois conto-lhe quem é).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 18 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111645671310966743?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111645671310966743/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111645671310966743' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111645671310966743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111645671310966743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/o-debate-homossexual.html' title='O debate homossexual'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111645659558615757</id><published>2005-05-18T15:49:00.000-07:00</published><updated>2005-05-18T15:51:00.913-07:00</updated><title type='text'>Chatear o Kumba Ialá</title><content type='html'>Descansem que eles estão quase aí. Já descongelaram o discurso do costume e a qualquer momento vão subir às tribunas. Esperem pelo final do campeonato e pela festança. Já estou a ouvi-los a retreinar as frases com a filharada: «Repitam comigo. Este país é sempre a mesma coisa. Só se interessa pelo futebol. Estas pessoas que estão aos pulos nas ruas deviam era começar a tratar dos seus problemas». «Dos seus verdadeiros problemas», acrescentam.&lt;br /&gt;Eu também já estou a ensaiar com o meu filho a resposta a esses tipos. Resume-se a um: «E se fossem chatear o Kumba Ialá?» (sim, qualquer coisa que o rapaz - que está quase nos nove meses - diga parece-se com Kumba Ialá). Confesso que em matéria de sentimentos em relação aos que vão saltar e apitar para as ruas depois das vitórias dos seus clubes moro no lado oposto. Tenho inveja, aquele sentimento tão português, que deu origem ao livrinho do professor Gil. &lt;br /&gt; Em termos futebolísticos, tenho andado uma galdéria. Já cheguei a assistir no Restelo a um jogo entre o Belenenses (o clube do meu avô) e o Santa Clara (o clube da minha terra) em que festejei os golos de ambas equipas. Estou mole. Melancólico. Democrático  - no fundo, tudo aquilo que nunca se pode ser em matéria de bola. Tem-me faltado a pica para vibrar (e que vi, invejoso, no amigo em casa de quem assisti ao Benfica-Sporting).&lt;br /&gt;É uma decisão. No Boavista-Benfica, quero voltar a ser aquele puto que chorava quando o Bento levava golos entre as pernas do Liverpool. Ou seja: no sábado, quero estar mais clubista. Mais faccioso. Isso: mais parvo. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 17 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111645659558615757?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111645659558615757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111645659558615757' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111645659558615757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111645659558615757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/chatear-o-kumba-ial.html' title='Chatear o Kumba Ialá'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111632353334579954</id><published>2005-05-17T02:51:00.000-07:00</published><updated>2005-05-17T02:52:13.350-07:00</updated><title type='text'>Nobre Guedes e o Benfica</title><content type='html'>Deixem-me fazer uma pergunta para começar: o que é que une os ministros do último Governo que assinaram um polémico despacho e o Sport Lisboa e Benfica? Ambos resolveram tratar das coisas à última da hora. Ambos honraram a tradição do «deixa para amanhã o que podes fazer hoje». Ou seja: ambos são genuinamente tugas. Mereceriam, pois, fazer parte de uma novíssima versão da Arte de ser Português, de Pascoaes.&lt;br /&gt;«Esses nunca me enganaram. O problema é o outro, o Zé Sócrates, que até parecia estrangeiro», comentou comigo, à entrada do extra, a dona Maria Júlia. Está bem visto. Dona Maria Júlia rules. Dona Maria Júlia para comentadora da SIC-Notícias, já. Ao contrário do que as aparências e o estilo sofisticado poderiam sugerir, o primeiro-ministro José Sócrates também é bastante lusitano nisso. Aquele ar estrangeirado, de quem anda a comprar instalações do Cabrita Reis em feiras de arte na Alemanha, afinal, é só para enganar. Só para português ver, melhor dizendo.&lt;br /&gt;Comecei por dar o benefício da dúvida, mas agora treino um novo raciocínio. A julgar pela fraca produtividade do Executivo socialista, é de crer que José Sócrates está a guardar-se para os últimos dias de governação. Aliás, só pode ser isso: tal como o Benfica, o primeiro-ministro quer ganhar o campeonato na última jornada. Durante quase quatro anos vai andar a lançar ideias-chave - a provar que o diabólico marketing não era um exclusivo do Governo de Santana - e, no final, fará uma data de reformas estruturais. Com ou sem ajuda dos árbitros. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;(texto publicado no dia 16 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111632353334579954?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111632353334579954/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111632353334579954' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111632353334579954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111632353334579954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/nobre-guedes-e-o-benfica.html' title='Nobre Guedes e o Benfica'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111603363024085198</id><published>2005-05-13T18:19:00.000-07:00</published><updated>2005-05-13T18:24:14.086-07:00</updated><title type='text'>O medo de engordar</title><content type='html'>Li já não sei onde que está prestes a ir para o ar um reality-show com gordos. Diz que o objectivo do concurso é fazer uma dietazinha em frente às câmaras. É isso: não percebo por que é que ainda não chegou o convite. Para apresentador, claro. Ou então para bailarina figurante.&lt;br /&gt;Mas esta crónica não é sobre televisão. É sobre a vida para além dos estúdios. (Há uma, apesar de tudo). É sobre cafés, os cafés portugueses, e sobre aqueles que considero dos maiores responsáveis pela obesidade nacional: os empregados de café.&lt;br /&gt; Os cronistas andam a fugir deste tema como os realizadores lusos fogem do Dubai. Como os políticos fogem do Sá Fernandes. Como o Telmo Correia foge da calamidade que está a atravessar há uns tempos.  Os colunistas preferem escrever sobre o Sócrates, sobre o défice, sobre o Nobre Guedes, sobre o Benfica-Sporting. Enfim, sobre matérias que não interessam nem ao César das Neves. &lt;br /&gt;Já altura de alguém pegar neste magno assunto. Chegou o momento de confrontar os empregados de café com a pergunta: por que é que, quando nós pedimos um café com adoçante, o café vem sempre acompanhado de açúcar? Pois é, disso ninguém fala. E este é um dos mais perfurantes problemas da Nação. Qual Medo de Existir, qual quê. Por estes dias, José Gil já deveria estar a escrever o  «Portugal, Hoje – o Medo de Engordar». Um volume dedicado aos empregados de café que se esquecem sempre de trazer o adoçante para a mesa. Porque, se porventura, um dias destes, eles se lembrarem de trazer o pacotinho certo, poderão alterar decisivamente o futuro do país. É só quererem. Garanto.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 13 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111603363024085198?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111603363024085198/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111603363024085198' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111603363024085198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111603363024085198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/o-medo-de-engordar.html' title='O medo de engordar'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111603354271226232</id><published>2005-05-13T18:17:00.000-07:00</published><updated>2005-05-13T18:19:02.716-07:00</updated><title type='text'>As regras</title><content type='html'>Não sei se Isaltino Morais e Valentim Loureiro vão ser ou não expulsos do PSD, mas agrada-me a ideia de viver numa sociedade em que as regras básicas das organizações funcionam. Em que não vale tudo. Em que fazer parte de um clube significa respeitar os seus princípios essenciais. Em que os meninos, quando se portam mal, são obrigados a ir lá para fora. Mais: são obrigados a ir lá para fora assistir ao programa do Goucha.&lt;br /&gt;Hoje em dia, fica bem ser contra as regras. Questioná-las a cada instante. Os adultos são adolescentes e os adolescentes crianças. Ou por outra: são raríssimos aqueles que assumem as suas responsabilidades. Que dizem: «Não me portei bem. Assumo o que fiz e acho que devo pagar por isso. Sim, aceito que me mandem para a Nova Democracia durante cinco anos». Agora, um tipo porta-se mal e a primeira coisa que faz é telefonar para uma televisão e dizer que há gente desumana que o quer expulsar de casa. Estamos nisto.&lt;br /&gt;Há uma evidentíssima pressão nos jornais, nas rádios, nas televisões, para que as regras não se cumpram. Muitas e muitas vezes, quem manda cumprir uma regra (a do dever de lealdade a um partido, por exemplo) é logo visto nos media como um «fascistóide». Como alguém que não sabe o «verdadeiro significado do 25 de Abril». Veja-se o caso de Freitas. Freitas do Amaral foi suspenso do Partido Popular Europeu ao assumir funções num Governo socialista e a maior parte dos comentadores achou que a suspensão era «absolutamente inaceitável». O que, se pensarmos um pouco, é uma opinião de quem perdeu o Norte e o sentido da decência.&lt;br /&gt;Invoca-se gratuitamente a democracia para criticar os «fascistóides» quando a verdade é que uma democracia não funciona sem regras. Mas ainda estamos demasiado complexados para perceber a evidência. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 12 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111603354271226232?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111603354271226232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111603354271226232' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111603354271226232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111603354271226232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/as-regras.html' title='As regras'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111585603456968471</id><published>2005-05-11T17:00:00.000-07:00</published><updated>2005-05-11T17:00:34.576-07:00</updated><title type='text'>Aguentem o homem</title><content type='html'>Cuidado, portugueses: um dia destes, José Sá Fernandes embarga a nossa vida sexual. Acorda com o argumento de que a nossa vida sexual tem efeitos nocivos fortíssimos para a saúde pública e nós não temos outro remédio se não abster-nos durante uns meses (talvez uns anos ou mesmo décadas) de qualquer gesto sequer erótico. O que pode ser uma chatice.&lt;br /&gt; Teremos de parar. Teremos de ficar quietinhos. A jogar king, sueca e burro em pé. Ou a assistir às emissões do People &amp; Arts. Do Canal História. Da TV Galicia. Da TV-Saúde. Do Panda. Do Viver. Até que um juiz terno e bondoso decida que, afinal, o sexo não é assim tão, tão prejudicial  - e que até pode ajudar a distender algumas almas, digamos, mais tensas e reprimidas. &lt;br /&gt; Sim, tal como Pedro Santana Lopes, José Sá Fernandes anda por aí. A tratar das nossas vidas. A cuidar de nós. A zelar pelos nossos interesses e negócios. A recolher a nossa papelada dispersa. A salvar-nos dos maus e poderosos. José Sá Fernandes é o super-herói Marvel do nosso tempo. Pronto para salvar o cidadão desprevenido das garras desse monstro esverdeado e poluente que ora se chama Câmara Municipal ora se chama Governo.&lt;br /&gt;No momento, segundo parece, está mais sedento de justiça do que nunca. Ele quer parar tudo. Contra todos. Já abandonou o Departamento dos Tunéis e agora virou a sua pulsão embargadora para a cultura do milho trangénico. &lt;br /&gt;Em nome do quarto andar sem elevador, agradeço a sua preocupação. Mas, ao mesmo tempo, faço um pedido dos mais simples:  quem puder, agarre o senhor. Um dia que seja. Em nome do nosso direito ao descanso. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 11 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111585603456968471?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111585603456968471/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111585603456968471' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111585603456968471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111585603456968471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/aguentem-o-homem.html' title='Aguentem o homem'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111585598032588535</id><published>2005-05-11T16:57:00.000-07:00</published><updated>2005-05-11T16:59:40.330-07:00</updated><title type='text'>Mainardi</title><content type='html'>Um homem não se mete aos palmos, mas, muitas vezes, um colunista mede-se aos ódios. O brasileiro Diogo Mainardi é um desses casos. Quanto mais ódios consegue gerar, mais se impõe como colunista. Conhecido sobretudo pela participação no programa Manhattan Connection, Mainardi entra na categoria de comentador ultra-ultra-irritante. É ele próprio que escreve: por cada dez cartas que recebe, nove são insultos.&lt;br /&gt;Diogo Mainardi é uma espécie de Vasco Pulido Valente com pinta e sentido de humor. Embora não seja tão talentoso, descende de uma linhagem de colunistas brasileiros que não hesitavam em fazer uso de uma sátira violenta para encrespar as personagens visadas nos seus artigos – e, é claro, os amáveis leitores. Refiro-me, por exemplo, a Nelson Rodrigues e a Paulo Francis.&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, andei a ler A Tapas e Pontapés, compilação dos seus melhores textos na Veja. As crónicas têm temas muito variados. Numas, Mainardi debruça-se sobre Lula da Silva. Noutras, escreve sobre Lula da Silva. E ainda noutras malha em Lula da Silva.&lt;br /&gt;Aqui, ali e acolá, faz igualmente um retrato devastador do Brasil e, heresia das heresias, critica com regularidade Caetano Veloso -  que, por sua vez, diz que Mainardi é um «abacaxi com caroço». É o que chama levar com uma Caetanada nas trombas.&lt;br /&gt;Curiosamente, Diogo já não escreve sobre Lula na Veja. Despediu-se, há umas semanas, do seu ódio de estimação. Mas, felizmente, continua em forma. No outro dia, fazia uma comparação entre as letras das música de Xuxa e as letras das músicas de Caetano. E quis provar com alguns exemplos que as letras de Xuxa são melhores do que as de Caetano. &lt;br /&gt;Faz falta gente assim. Gente chata assim. Acima de tudo, o rapaz é do contra. É isso que mais o define - embora pelo meio vá, como se costuma dizer, dizendo umas verdades. Segue, pois, sobretudo aquela frase do Millôr Fernandes (que encontrei há tempos no blogue Contra a Corrente): «Li, ontem, um editorial magnífico. Não dizia absolutamente nada, mas era do contra».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 10 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111585598032588535?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111585598032588535/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111585598032588535' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111585598032588535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111585598032588535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/mainardi.html' title='Mainardi'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111585572192784432</id><published>2005-05-11T16:53:00.000-07:00</published><updated>2005-05-11T17:01:18.043-07:00</updated><title type='text'>Reaccionário</title><content type='html'>Há quem compre um livro por causa do autor. Há quem compre um livro por causa da badana. Há quem compre um livro por causa da cinta. Há quem compre um livro porque esse livro foi referido no programa Os SPAS’s da Marisa. Eu comprei Resistir, de Ernesto Sabato, porque tem um capítulo intitulado Os Antigos Valores.&lt;br /&gt;Não traz nada de novo (apesar do título fortemente enganador) ou de excepcional, mas é reconfortante.  É como uma conversa com um avô. Com um amigo (um comunista de 70 e muitos anos) que me costuma contar de um tempo em que, como se costumava dizer, as pessoas tinham palavra.&lt;br /&gt;Deste capítulo de Resistir ficam-me frases simples e sem pretensões como esta: «A vida dos homens centrava-se em valores espirituais, hoje quase em desuso, como a dignidade, o desinteresse, o estoicismo do ser humano face à adversidade. Estes grandes valores, como a honestidade, a honra, o gosto pelas coisas bem feitas, o respeito pelos outros, não eram nada de excepcional, tinham-nos a maioria das pessoas. Donde viria o seu valor, a sua coragem perante a vida?». Ou como esta: «Negar a morte, não ir aos cemitérios, não usar luto, tudo isso pareceu uma afirmação de vida e foi-o, em certa medida. Mas, paradoxalmente, converteu-se num engano, um entre tantos fabricados pela sociedade actual para que o homem não chegue a perceber as situações limite, aquelas em que o nosso mundo se esvazia, as únicas que nos podem sacudir desta inércia em que avançamos».&lt;br /&gt;Decidi agora mesmo: este capítulo basta-me. Não vou ler mais nada do livro. Afinal de contas, um homem tem defender a sua reputação de reaccionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(publicado no dia 9 de Maio de 2005)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111585572192784432?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111585572192784432/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111585572192784432' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111585572192784432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111585572192784432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/reaccionrio.html' title='Reaccionário'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111545731381466255</id><published>2005-05-07T02:14:00.000-07:00</published><updated>2005-05-07T02:15:13.820-07:00</updated><title type='text'>O trânsito em Akureyri</title><content type='html'>Os efeitos da globalização podem tornar-se patéticos. Por estes dias, enquanto passeava de manhã pelas ruelas e becos da cidade, encontrei pares de pais a trocarem ideias sobre os mais obscuros pormenores das eleições em Inglaterra  - enquanto os filhos puxavam pelas suas camisas, ansiosos por poderem chegar a tempo às aulas. Havia professores a querer regressar ao castigo das reguadas. Nos progenitores, naturalmente.&lt;br /&gt;Até a minha vizinha de baixo, que nem a Mulher Moderna lê, passou a comprar a Economist para ter opinião sobre todas as alíneas dos programas de Blair, Howard e Kennedy. Corrijo: até o canídeo da senhora passou noites e noites a fazer minuciosas comparações entre as últimas sondagens. Mais: até as pulgas do fedorento participaram hoje de manhã  no fórum pós-eleitoral da BBC.&lt;br /&gt;Isto está a atingir dimensões fabulosas. Daqui a nada, o caso tornar-se-á psiquiátrico. O que até pode animar o país, nesta era de socratismo sonâmbulo. Antecipemos os acontecimentos. As eleições para a junta da zona oeste de uma cidade obscura do Burundi serão acompanhadas nas tascas de Alfama como se fossem marchas de Lisboa. O problema da canalização numa casa em Bogotá será tema de conversa nos jantares de família em Alfornelos. Em vez do trânsito nas cidades portuguesas, teremos, logo pela matina,  na Antena 1 e na TSF, o trânsito de Bordéus, Bombaim e Akureyri.&lt;br /&gt;Eu, se me dão licença, deixo aqui registado que tenho um problema de térmitas para resolver. E, por incrível que pareça, não há nenhum jornal do mundo que faça manchete com isso. Tá mal. Tá muito mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111545731381466255?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111545731381466255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111545731381466255' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111545731381466255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111545731381466255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/o-trnsito-em-akureyri.html' title='O trânsito em Akureyri'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111533999615328099</id><published>2005-05-05T17:38:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T17:43:20.126-07:00</updated><title type='text'>A Margarida é fixe</title><content type='html'>Desde o momento da publicação da entrevista que fiz à Margarida Rebelo Pinto (o último sábado; vós, os meus dois dedicados leitores, sabeis disso) que não tenho tido descanso. Primeiro foi uma amiga que me desancou ao telefone. Depois foi um amigo que me desancou antes de um jogo de bola. Por fim, foi a vizinhança inteira que me desancou no café - ainda não tinha pedido a sandes mista e o galão com adoçante. Sim, a Brigada Anti-Rebelo Pinto entrou em acção.&lt;br /&gt;Meus queridos, a Margarida é fixe. (Se algum jornal me quiser citar, que leve esta frase). Não se irritem tanto com ela. Vá, dêem quatro voltas ao quarteirão. Se não bastar, leiam três livros do Ramos Rosa e a prosa do Destak. Se, mesmo assim, continuarem irritadiços,  imaginem que foram convidados para a tertúlia do SIC-10 Horas e que podem provocar estragos à vontade. &lt;br /&gt;Não, não percebo de onde vem essa urticária toda em relação à Margarida Rebelo Pinto. A sério que não percebo. Eu cá continuo na minha: só num país culturalmente inseguro, o fenómeno Rebelo Pinto pode ser incómodo. O Cavaco é que tinha razão: deixem-na trabalhar. Está claro dentro da minha melancólica cabecinha: quanto mais os Ratzingers do pensamento nacional lançarem o seu ar de desprezo sobre ela, mais eu vou defendê-la. Ai vou, vou.  &lt;br /&gt; Porque ela é o que é: uma mulher que resolveu escrever livros - e que ganha bastante dinheiro com isso. Mais importante: uma escritora que tem feito por melhorar a qualidade da sua escrita e que vai editar um livro atravessado de uma raiva sarcástica, a fazer lembrar os melhores momentos da espanhola Lucía Etxebarria. Pergunto: algum problema com isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 5 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111533999615328099?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111533999615328099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111533999615328099' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111533999615328099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111533999615328099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/margarida-fixe.html' title='A Margarida é fixe'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111525014341424114</id><published>2005-05-04T16:41:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T10:06:29.480-07:00</updated><title type='text'>Neocrónica</title><content type='html'>É engraçado. Engraçadíssimo mesmo. Fala-se muito em neoconservadorismo e em neoliberalismo, mas ninguém ouve falar em neoprogressismo ou em neoestatismo. «Neo» está sempre associado às coisas ditas de direita. Em tom duro. Maldisposto. Amargoso. Por aqui, chamar alguém de «neoconservador» é como atirar-lhe com uma pedra da calçada à marrafa. É como ir no trânsito e abrir a janela para gritar: «Sai lá daí, ó Américo Thomaz do Saldanha Residence!».&lt;br /&gt;Mais: há, segundo 632,2 escribas, uma «nova direita» («os gajos da nova direita» para aqui; «os gajos da nova direita» para ali). Mas ninguém fala numa nova esquerda (a não ser, julgo, Pulido Valente no último fim-de-semana). O que não é lá muito – chamemos-lhe assim - justo. Correcto. Sério. Pois: se é verdade que há um conjunto de novos personagens pensantes à direita, também o é que há um conjunto à esquerda. Podem ser encontradas no bar Agito, ao Bairro Alto.&lt;br /&gt;Até o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa – ou melhor o neodicionário da Academia das Ciências de Lisboa – é demasiado canhoto nas escolhas. Sim, deve ter sido revisto por Mário Soares, Miguel Vale de Almeida e um conjunto de estagiários com t-shirts do Che. Há lá no meio apenas uma definição de neoliberalismo - e nadinha do resto.&lt;br /&gt;Pergunto, daqui do neoquarto andar sem elevador (onde habitam algumas neotérmitas): para quando a definição do neolouçãnismo (que já está a surgir em força nas C+S do país)? Para quando o significado de neoantiamericanismo? E de neocaviarismo? Exijo uma resposta. O neoemail está à vossa disposição. Neodisposição, desculpem. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 4 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111525014341424114?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111525014341424114/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111525014341424114' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111525014341424114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111525014341424114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/neocrnica.html' title='Neocrónica'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111520050197536452</id><published>2005-05-04T02:54:00.000-07:00</published><updated>2005-05-04T02:55:01.983-07:00</updated><title type='text'>Da impureza do futebol</title><content type='html'>Não subscrevo o que diz o Arménio da drogaria: «O Sporting pode ter o Liedson e o Pinilla mas o Benfica tem o Mário Mendes». Mas, tal com muitos outros benfiquistas, não fico propriamente eufórico ao perceber – ainda por cima, lá no estádio - que o meu clube ganhou a jogatana com o Belenenses por causa de um penalti oferecido pela arbitragem. Isso: algures no meio da bancada, houve alguém que não se pôs a saltar como o senhor João Baião.&lt;br /&gt;Não fico feliz da vida, mas também não alinho nesta nova onda de benfiquismo culpado  - ou nas análises embebidas no antibenfiquismo do costume. Ou seja: não vou deixar de fazer sapateado pelas ruas da capital se o Benfica ganhar este ano o campeonato. (Sim, hoje a croniqueta é patrocinada pela palavra não). Mas porquê, ó Santos?, pergunta o Nando da loja de ferragens. Porque, convenhamos, não é a primeira vez na História do Futebol que um clube é levado ao colo (para citar Santana) pelos árbitros.  O que nem é o caso.&lt;br /&gt;É que, a julgar pelo que se anda a rabiscar nas paredes do país, parece que isto do favorecimento às claras nunca aconteceu. Parece que até agora os árbitros foram virgens sérias e imparciais e que, a partir de sábado, passaram à categoria de comprados. O «Portugal espantado» em todo o seu esplendor. &lt;br /&gt;Não, não digo como o Arménio: «Até o árbitro tem um nome a defender: o de gatuno». Nem quero apanhar boleia de um discurso melancólico e fatalista. Mas, se formos avaliar os campeonatos por juízos sobre os árbitros e as arbitragens, vamos encontrar demasiadas vezes a palavra injustiça. E, se me permitem, não me apetece ir por aí.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 3 de Maio)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111520050197536452?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111520050197536452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111520050197536452' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111520050197536452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111520050197536452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/da-impureza-do-futebol.html' title='Da impureza do futebol'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111510895734231597</id><published>2005-05-03T01:28:00.000-07:00</published><updated>2005-05-03T01:30:49.433-07:00</updated><title type='text'>Hitler era um homem</title><content type='html'>Não, ainda não assisti ao filme A Queda - Hitler e o Fim do III Reich. Mas já li bastante sobre a película. E, ontem, segui o sereno e esclarecedor comentário do Alexandre Borges aqui na Capital sobre o dito. Ou seja: ainda não vi o filme, mas já fiz o filme do filme. &lt;br /&gt;Mas o meu ponto nada tem a ver com cinema (como tinha o ponto do Alexandre, certeiramente crítico em relação aos juízos morais sobre a fita). Tem a ver com os comentários que têm circulado por estes dias sobre Adolf Hitler. &lt;br /&gt;Ouço e leio que Hitler não era um homem. Que não era um ser humano. Ouço e leio que Hitler era um monstro. Ora, permitam-me discordar (um verbo especialmente apetecível para as segundas-feiras). Hitler era humano. Demasiado humano até. Porque só o humano pode conter tanta monstruosidade dentro de si.&lt;br /&gt;Prefiro ver as coisas desta forma: Hitler não era um monstro. Era um homem monstruoso. O que é muito diferente. Porque, ao considerá-lo um ser humano monstruoso, não estamos a afastá-lo. Não estamos a chutá-lo para «outro mundo». Não estamos a dizer: «A maldade de Hitler não tem nada a ver com connosco». O facto é que tem. E muito. Quando Freitas comparou Bush a Hitler estava a comparar dois seres humanos.&lt;br /&gt;A verdade é que Hitler era tão humano que, como mostra o filme e lembra o Alexandre, tem alguns instantes de luminosidade na sua biografia. Ou seja: é, como todos nós, um ser complexo. Com um extensíssimo território obscuro e maligno espalhado pelo espírito.&lt;br /&gt;Para grande parte da opinião pública portuguesa (ah, como detesto esta expressão), o monstro do momento chama-se Carlos Silvino. E, aos olhos dos que vão estrebuchar para a frente do tribunal, Bibi é uma «besta». Um «animal». Esquecem-se de um pormenor: que a condição de réu está reservada aos homens. E que eles próprios, a julgar pela epilépsia de ódio e crueldade, não são flor que se cheire.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111510895734231597?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111510895734231597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111510895734231597' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111510895734231597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111510895734231597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/05/hitler-era-um-homem.html' title='Hitler era um homem'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111482405142861760</id><published>2005-04-29T18:19:00.000-07:00</published><updated>2005-04-29T18:23:44.310-07:00</updated><title type='text'>o coelho, o lobo, a melga e o rato</title><content type='html'>A participação de Jorge Coelho no programa Quadratura do Círculo não faz qualquer sentido. Anteontem, apanhei-o a intervir. Previsível: representava o papel de defensor fundamentalista das hostes socialistas. Só lhe faltou fazer o rosáceo elogio da maneira como Sócrates se penteia logo pela manhã e da forma como segura a bica cheia (quem sabe, com o dedo mindinho espetado) no café da esquina.&lt;br /&gt;Porque a questão é esta – e tão somente esta: o programa quer armar-se ao livre. E Jorge Coelho não é um homem livre. Coelho é coordenador da Comissão Permanente do PS. Sim, o nome do cargo diz tudo. Por isso e só por isso se percebe que, por exemplo, na análise que fez do discurso fideliano (na duração) de Jorge Sampaio no 25 de Abril só tenha sublinhado - em tons igualmente rosáceos - a crítica que o presidente fez à obsessão pelo défice.&lt;br /&gt;Pacheco e Lobo são, apesar de tudo, vozes mais libertas dos discursos oficiosos das agremiações em que militam. (Por falar nisso, até quando é que um lobo e um coelho vão conseguir coexistir no mesmo reduto?; ainda não reflecti o suficiente sobre o assunto para me pronunciar; nem sobre o facto de um coelho ter ido substituir uma personagem com óbvio feitio de melga). O primeiro é tão livre, tão livre que mais valia que tivesse a coragem e a generosidade suficientes para realizar uma festarola de despedida. Com o DJ Santana a pôr música, é claro.&lt;br /&gt;É que, além do mais, a coisa pode tornar-se francamente aborrecida. Já adivinhamos quais vão ser as cenas dos capítulos seguintes. Pacheco e Lobo continuarão ao ataque e Coelho permanecerá à defesa. Sim, por mais spots que passem com o próprio a tentar mostrar que até é um espírito livre, nunca poderá sair da actual cartola do Rato. A menos que tenha em mente outras ambições.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 29 de Abril)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111482405142861760?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111482405142861760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111482405142861760' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111482405142861760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111482405142861760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/04/o-coelho-o-lobo-melga-e-o-rato.html' title='o coelho, o lobo, a melga e o rato'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111473177939690629</id><published>2005-04-28T16:41:00.000-07:00</published><updated>2005-04-28T16:46:53.940-07:00</updated><title type='text'>Um homem simples</title><content type='html'>1) Primeiro o CDS-PP. A nítida vantagem de José Ribeiro e Castro em relação ao seu antecessor é o facto de ser, ou melhor, de parecer um homem simples –«um tipo normal». Não tem o rasgo nem a articulação mental e verbal de Paulo Portas, mas em compensação transpira normalidade e pragmatismo. E, pormenor não irrelevante, veste fatos que se podem comprar na Loja das Meias.  &lt;br /&gt;2) Não deixa, no entanto, de ser bastante irónico que o novo líder do CDS-PP, há não muito tempo um partido antieuropeísta, escolha arrumar a casa a partir da Europa. É o mesmo que o Vaticano, num gesto de extremo progressismo, começasse, daqui a cinco anos, a ser liderado a partir dos bares do Príncipe Real.&lt;br /&gt;3) Esqueçam Carlos Marques e Pedro Soares. José Sá Fernandes é o candidato bloquista ideal à Câmara de Lisboa. Sobretudo se começar por exigir um estudo de impacto ambiental sobre algumas das propostas políticas do próprio BE. Sim, pode ser que dê em embargo.&lt;br /&gt;4) É um conselho de amigo: se o  filósofo Manuel Maria Carrilho quiser ter algum sucesso nas eleições para a Câmara de Lisboa, deverá dar lugar à primeira dama em matéria de cartazes espalhados pela cidade. Ainda vai a tempo.&lt;br /&gt;5) Uma perguntinha: alguém sabe onde é que anda um indivíduo de cabelo grisalho e boa pinta que se chama qualquer coisa Sócrates? &lt;br /&gt;6) Para finalizar, uma nota de bondade e esperança. De um momento para o outro, os comentadores de assuntos papais (e cardeais e sacerdotais) desapareceram do mapa. Escapuliram-se. Ou esfumaram-se, para sermos mais rigorosos. Um santo alívio para a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 28 de Abril)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111473177939690629?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111473177939690629/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111473177939690629' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111473177939690629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111473177939690629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/04/um-homem-simples.html' title='Um homem simples'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12488669.post-111464610060630141</id><published>2005-04-27T16:53:00.000-07:00</published><updated>2005-04-28T16:50:12.946-07:00</updated><title type='text'>Revistas de gajo</title><content type='html'>É questão de dar uma voltinha pelos quiosques: o país encheu-se de revistas com moças semi-desnudas na capa. Eu já tenho a novidade do mercado: a FHM. Comprei este segundo número porque sei que traz um dossier completíssimo sobre o tema da semiótica na problemática do estruturalismo pós-moderno húngaro. É um assunto que me interessa muito. Já havia comprado a última Maxmen por causa de uma densa reflexão sobre os neosartreanos. &lt;br /&gt;Sejamos claros: este boom revisteiro só pode ter a ver com o facto de Portugal estar farto de ser chamado de metrossexual e depravado por esse mundo fora. Temos de limpar a imagem. Chegou a altura de parecer um gajo à antiga. O lema é: «Vejam lá, ó estrangeirada, apesar deste look de metrossexual da Baixa da Banheira e dos escândalos tipo Casa Pia, nós gostamos é de mulherio a sério».&lt;br /&gt;Não sei se já repararam. Têm-se visto mais aglomerados de senhores respeitáveis junto das lojecas de jornais. A táctica é simples: um tipo finge que está a olhar para a manchete do Courrier Internacional quando na verdade está a espreitar para a moçoila da GQ. Já há cursos para isso e tudo.&lt;br /&gt;As outras revistas começam a atacar com as armas de que dispõem. Por exemplo, há quem tenha comprado a Nova Cidadania, dirigida por João Carlos Espada, só porque tem um artigo assinado por um tal de Kenneth Minogue (intitulado “Sondagens à Parte”). A julgar pelo Zé Tó, o filho da porteira, o apelido do senhor enganou muito candidato a marialva. Espera-se mesmo um aprofundamento da táctica. Estou a imaginar os colaboradores dos próximos números da Nova Cidadania: Jonathan Galisteu, Francis Spears e Mariso Cruz. Aguardemos. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(texto publicado no dia 27 de Abril)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12488669-111464610060630141?l=quartoandarsemelevador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/feeds/111464610060630141/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12488669&amp;postID=111464610060630141' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111464610060630141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12488669/posts/default/111464610060630141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartoandarsemelevador.blogspot.com/2005/04/revistas-de-gajo.html' title='Revistas de gajo'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00954204623142661367</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
